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A importância de Diddy para Notorious B.I.G

Ronald Rios

07/11/2019 11h09

Diddy, o chefão da Bad Boy Records é ao mesmo tempo uma das figuras mais importantes da história do rap e uma das mais folclóricas. A infâmia por trás da linha "Não se preocupe se eu escrevo rimas / Eu escrevo cheques" no hit "Bad Boy For Life" é um tapa na cara dos puristas do gênero. O fato dele encaixar a voz em quase todas as músicas do Biggie – especialmente no segundo álbum, quando ele já estava a vontade pra rimar como feature – sempre foi motivo de piada. Quanto às aparições nos videoclipes do Big então, wow, incautos poderiam imaginar até que "Notorious BIG" é uma dupla.

O escárnio por conta disso seria eterno a partir do dia que Suge Knight disse no Source Awards 95 – premiação da importante revista de rap – que "se você não quer um produtor executivo que fique aparecendo em todos os vídeos, você deveria assinar com a Death Row", gravadora inimiga da Bad Boy. Foi um tiro certo na moral do Diddy.

É claro que é triste que a gravadora que foi a casa de The Lox, Craig Mack, Lil Kim, Mase e lógico, Biggie; hoje tenha como um dos artistas mais importantes o insosso Machine Gun Kelly. É claro que em alguns videoclipes eu mesmo fico com uma vergonha alheia de tanto que Puff aparece nos clipes dos seus artistas. É quase como um Michael Scott se ele fosse dono duma gravadora de rap. Você sabe que ele faria isso.

Mas uma coisa deve ser dita: a importância de Diddy para que Big fosse um dos maiores nomes da música mundial. Para que ele se transformasse num dos artistas mais populares de todos os tempos.

Diddy tinha o toque de midas.

"Ready To Die" é um disco de rap bastante hardcore. Violento, gráfico. O disco termina com Notorious se suicidando. Mas você não saberia disso se só conhecesse Big pelos singles e videoclipes – que no fim do dia, eram os fatores que vendiam os discos.

Diddy não é o produtor de meter a mão na MPC, lógico. Mas ele sabia o que queria. Ele sabia o que estimular nos seus artistas. Ele mostrou a batida de Juicy para Big, que achou muito festiva para rimar em cima. Biggie não queria. Diddy insistiu.

Se eu estou no estúdio essa hora, é lógico que eu iria ficar do lado do Big. "Essa base é muito boba. Seu som é hardcore. Puff não sabe o que tá falando."

Big contrariado foi lá e escreveu uma canção sobre ir da lama pra fama. Uma vez que estava pronto, ele sabia. "Essa é a música que vai me transformar numa super estrela".

Então ele ouviu Diddy de novo, que queria que ele rimasse em cima do beat que viraria "Big Poppa", um R&B mais lentinho, mais momento monange.

As duas músicas viraram um sucesso estúpido. Elas empurraram o disco para vender muito. Eles repetiram a fórmula no segundo disco de Biggie – agora muito mais confortável com a ideia de fazer umas concessões em umas tracks.

Na verdade a indústria toda ia se inspirar naquilo. Jay-Z, Nas, 50 Cent, todo mundo que vendeu horrores nesse rap game bebeu um bocado dessa fonte. Misturar faixas hardcore com faixas mais dançantes ou sexy. Esse foi o toque do Diddy. Esse é o crédito que deve ser dado a ele: ele catapultou uma besta lírica ao sucesso de pop star – e um monte de gente seguiu a fórmula do sucesso.

Então deixa o cara aparecer nuns clipes. Está tudo bem. Ele merece. Big é um ícone hoje graças a seu talento pra rimar lógico, mas a embalagem que Diddy criou, os clipes, as roupas de mafioso old school… isso fez Notorious ser… notório.

Fora que quando Biggie partiu, Diddy nos deu esse hit: I'll be Missing You. É impossível ouvir essa música, pensar nessa amizade e não dar uma choradinha.

 

Te amamos, Diddy.
Agora larga mão desse MGK, pelamordedeus.

Peace out!

Sobre o autor

Ronald Rios é roteirista, comediante e documentarista. Apresentou o "Badalhoca MTV" de 2008 a 2011 na MTV Brasil. Na Band fazia o quadro "Documento da Semana" dentro do programa CQC, num formato de pequenos docs sobre pautas atuais na sociedade brasileira. Escreveu para o Yahoo, UOL, VICE, Estadão, Playboy, Red Bull e Billboard. Em 2016 fez a série de documentários "Histórias do Rap Nacional" para a TV Gazeta. Ronald também apresentou de 2010 a 2012 o programa "Oráculo" na Jovem Pan FM e foi roteirista do Multishow de 2009 a 2011, pela produtos 2 MLQS, onde rodou o programa de TV Brazilians, eleito um dos 5 melhores pilotos de TV nacionais de 2011 pelo Festival de Pitching de TV da operadora Oi. Em 2017 e 2018 rodou pequenos docs, podcasts e campanhas multimídia para o artista Emicida na gravadora Laboratório Fantasma.

Sobre o blog

Rap Cru é o blog do roteirista e documentarista Ronald Rios sobre Hip Hop. Brasileiro, americano, britânico, latino… o que tiver beats e rimas, DJs, grafiteiros e b-boys e b-girls, tem nossa presença lá.

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