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Drik Barbosa bate 1 milhão de views e fala sobre próximos passos no rap

Ronald Rios

2007-06-20T19:10:37

07/06/2019 10h37

Drik Barbosa é maravilhosa. É talentosa, simpática, humilde, trabalhadeira. E esse ano ela vem com um disco de estreia – após o elogiadíssimo EP "Espelho" em 2018 – lançado pela Laboratório Fantasma, gravadora fundada por Emicida e Evandro Fióti. Ela acaba de bater 1 milhão de views no seu videoclipe mais novo "Quem Tem Joga". A gente bateu um papo sobre a parceria com Gloria Groove e Karol Conka, bem como seus próximos passos no rap. Vamos a isso, senhoras e senhores.

 

Ronald: Parabéns pelo 1M de views de Quem Tem Joga? Era sua expectativa, juntando uma trinca dessas, que esse número viria tão rápido?

Drik: Obrigada! Eu esperava que a música fosse ter um alcance bom porque graças a Deus, meu público tá aumentando, as pessoas estão se identificando com o que eu canto… e como fã da Gloria e da Karol, eu imaginei que o público delas fosse chegar junto. É sobre um tema que elas falam, sobre empoderamento através do nosso posicionamento no mundo, da nossa roupa, nossa cor. Quando eu ouvi a música, vi o público, falei "vai bater!" Mas não sabia que ia ser tão rápido. 1 milhão de views em 2 semanas… isso pra mim é surpreendente. Eu como uma mulher preta MC, ter um som que bateu um milhão. É a primeira vez que isso acontece, então eu fiquei extremamente feliz.

Ronald: Qual foi a parte mais divertida de colaborar com a Groove e a Karol nesse som?

Drik: A parte mais divertida de estar com elas é que primeiro: eu sou muito fã, fã raiz! "Meu Deus, eu estou aqui com elas e elas são maravilhosas." Já conhecia as duas. Tinha mais contato com a Karol por ela ser do rap, a gente trombou mais, mas todas as vezes que encontrei com a Gloria, ela foi maravilhosa, a gente já ia se acompanhando… então esse encontro foi muito foda! Eu acho que a gente se divertiu porque temos muito essa energia de curtir fazer  música, amar o que faz. Elas são muito engraçadas, fazem muitas piadas. A gente dançava o tempo todo nos bastidores. Foi divertido porque elas amam o que fazem que nem eu. Não tem como a gente se juntar e não tá feliz fazendo música.

Ronald: Você lançou o maravilhoso disco do grupo Rimas e Melodias, veio depois com um EP solo muito redondo onde deu pra conhecer você mais de perto. Qual sua expectativa criativa para esse CD de estreia? Que resultado você tá buscando?

Drik: É uma responsabilidade muito grande fazer esse disco agora. Com o "Rimas" foi incrível, um processo de vivências positivas que trouxe muita bagagem. Com o EP então nem se fale.  Mas agora eu estou lidando com um número de músicas, talvez o dobro – não fechamos ainda – mas pelo menos o dobro de músicas do EP. Eu nunca tive que lidar com essa quantidade de músicas "sozinha". Decidir o que eu quero pro disco nessas 10 ou mais faixas, então é uma responsabilidade muito grande. E é meu primeiro disco solo.  Eu quero contar minha história através de várias perspectivas e emoções. Eu não consigo sintetizar tudo agora porque a gente ainda está terminando ele, então eu só vou ter ideia se vou chegar onde pensei lá na frente. Pode ir pra outro caminho do que eu tô pensando hoje, agora. Mas vai ter muito de mim no disco, como sempre. O rap me dá essa liberdade de expressão de falar o que eu vejo, o que eu penso pro mundo. Então se as pessoas se identificam comigo, vão se identificar com o disco. A gente tem vivências parecidas, nossa negritude, nós mulheres, como artista mesmo, tudo isso entra. As pessoas vão se identificar com minha história e ver que as  histórias delas batem com a minha por sermos humanos.

Ronald: Que Drik a gente vai ver nesse CD? A mais porrada, a sonhadora, festeira ou a mais romântica?

Drik: Todas as Driks! A mais romântica, festeira, porradona. Eu sou tudo isso. Não quero ser uma coisa só. E eu tô em constante mudança de opiniões, formas de fazer música. Eu quero experimentar, não ficar presa a nada. A experiência legal da vida é aprender e vivenciar coisas legais e totalmente diferentes no ano passado, no projeto passado. É isso que me faz amar fazer música, sabe, você se sentir na história da outra pessoa cantada ou rimada – essa identificação com a música. A sensação de ser salvo por uma música. A gente não se sente tão sozinho. Tem onde encontrar identificação. É importante falar de todas as Driks.

Ronald: Quem está produzindo o disco com você?

Drik: É o Grou, que também participou do "Espelho", a maioria das faixas é dele. Só a "Melanina" que não era dele, era do Deryck Cabrêra. Como não tá certo ainda o que entra no disco, ainda não dá pra dizer quem tá assinando a produção dele. Mas em maioria são do Grou. A gente tem a "Quem Tem Joga" que é um rap com funk e a gente tem afrobeats que é dele. Ele é muito flexível pra trabalhar e tá saindo um resultado maravilhoso.

Ronald: Eu admiro muito sua ética de trabalho, correndo pra lá e pra cá, nunca vi você com preguiça ou deixar o cansaço tirar o melhor de você. Como você se mantém criativa e produtiva? Tem hora que pede colo?

Drik: Eu vivo correndo pra lá e pra cá mas bate o cansaço sim. Eu tô vivendo coisas artísticas muito maravilhosas. E tô vivendo coisas boas na minha vida pessoal que exigem uma responsabilidade minha, então eu preciso estar presente em tudo. Às vezes eu preciso de um descanso, não ser responsável por nada pelo meu descanso – então com certeza peço colo, mais do que parece. Eu não escondo minha vulnerabilidade. O que me faz real no que eu canto é mostrar que eu não sou 100% forte. Ninguém é. Ficar mascarando essas emoções é pior ainda, então eu peço bastante colo. Ainda mais em processos criativos, onde eu me pressiono muito mas é bom dar uma respirada pra respeitar nossos limites.

Ronald: O quanto o Fióti e o Leandro (a.k.a Emicida) se envolvem no processo do disco?

Drik: Eles participam bastante. Eu gosto muito porque eles são muito criativos. O Fióti participou bastante dando referência de produção, de temas, me dá caminhos que às vezes eu não enxergo sozinha. Ter pessoas em que eu confio realizando isso comigo é muito importante. O Emicida tá corrido, a milhão, mas sempre pára pra perguntar como estou, se preciso conversar, como as coisas estão fluindo. Não poderia estar sendo tão foda esse processo de gravação se eles não estivessem participando comigo.

 

Sobre o autor

Ronald Rios é roteirista, comediante e documentarista. Apresentou o "Badalhoca MTV" de 2008 a 2011 na MTV Brasil. Na Band fazia o quadro "Documento da Semana" dentro do programa CQC, num formato de pequenos docs sobre pautas atuais na sociedade brasileira. Escreveu para o Yahoo, UOL, VICE, Estadão, Playboy, Red Bull e Billboard. Em 2016 fez a série de documentários "Histórias do Rap Nacional" para a TV Gazeta. Ronald também apresentou de 2010 a 2012 o programa "Oráculo" na Jovem Pan FM e foi roteirista do Multishow de 2009 a 2011, pela produtos 2 MLQS, onde rodou o programa de TV Brazilians, eleito um dos 5 melhores pilotos de TV nacionais de 2011 pelo Festival de Pitching de TV da operadora Oi. Em 2017 e 2018 rodou pequenos docs, podcasts e campanhas multimídia para o artista Emicida na gravadora Laboratório Fantasma.

Sobre o blog

Rap Cru é o blog do roteirista e documentarista Ronald Rios sobre Hip Hop. Brasileiro, americano, britânico, latino… o que tiver beats e rimas, DJs, grafiteiros e b-boys e b-girls, tem nossa presença lá.