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O Baco rima o que quiser e o choro promove o hit

Ronald Rios

29/07/2019 06h44

Então, o Baco tem um single novo chamado, chama "Blackstreetboys". Tem uma linha assim:

"Depois que Jay-Z ficou estéril, Beyoncé me ligou perguntando se eu doo sêmen"

Houve uma gritaria sobre isso na "terra que não é de verdade", conhecida também como Twitter. Baco cancelado. Como pode falar isso? Que papo é esse de doar sêmen? Que AFRONTA! É ofensivo!"

É Hip Hop, cara. Se trata de chocar pra atrair. Sempre foi assim com os maiores do gênero. Jay-Z têm linhas do mesmo calibre. Eminem, Emicida, Slick Rick, Mano Brown, Notorious Big, Tyler The Creator, Chinaski, niLL, Don L, todos eles já disseram algo contundente numa rima que te provocou. Que te fez falar "caralho, rap é foda, fi!" Nem sempre foi algo bonitinho. Às vezes foi uma fantasia. Às vezes foi uma metáfora. Sempre foi arte. Pensar no mais louco pra fazer a plateia fazer "hooo" e – quer saber? Deixar uma turma irritada demais. Gera debate. Eu nem tinha me ligado que saiu esse som e ouvi por causa do buxixo!

Nunca tinha ouvido falar nesse papo de Jay-Z estéril. Não importa se é verdade. Serve ao imaginário da canção. E num universo onde Beyoncé não tem como procriar com seu estimado marido, ela recorre à inseminação artificial da segunda melhor opção para ela: Baco. É uma provocação, é ofensivo, é principalmente um posicionamento de "sou foda". E o bragging, se gabar de ser foda, é motor do Hip Hop desde a sua invenção. Ele só é rimado de formas diferentes. Baco está apenas lembrando você que ele é ser foda. E ser foda nessa profissão, com a correria e percalços que cada MC enfrenta desde criança, é importante demais. Por isso várias formas criativas de dizer isso são feitas no rap há décadas.

A linha pode não ter te agradado. Mas você reclamar isso só gera a controvérsia que o Baco quer. Traz mais gente para conferir sua arte. E muitos ficam com ele a partir de agora porque veem que não é uma linha desrespeitosa. É um ode a si mesmo e a agressividade juvenil do Hip Hop. É isso, chapa. Outro grande truque da cartola tirado pelo Baco.

E Baco, faz um disco inteiro de rap – tá na hora já, fi.

UPDATE: Baco respondeu a coluna. "Vou tentar fazer um disco inteiro de rap. Prometo." A gente fica no aguardo!

Sobre o autor

Ronald Rios é roteirista, comediante e documentarista. Apresentou o "Badalhoca MTV" de 2008 a 2011 na MTV Brasil. Na Band fazia o quadro "Documento da Semana" dentro do programa CQC, num formato de pequenos docs sobre pautas atuais na sociedade brasileira. Escreveu para o Yahoo, UOL, VICE, Estadão, Playboy, Red Bull e Billboard. Em 2016 fez a série de documentários "Histórias do Rap Nacional" para a TV Gazeta. Ronald também apresentou de 2010 a 2012 o programa "Oráculo" na Jovem Pan FM e foi roteirista do Multishow de 2009 a 2011, pela produtos 2 MLQS, onde rodou o programa de TV Brazilians, eleito um dos 5 melhores pilotos de TV nacionais de 2011 pelo Festival de Pitching de TV da operadora Oi. Em 2017 e 2018 rodou pequenos docs, podcasts e campanhas multimídia para o artista Emicida na gravadora Laboratório Fantasma.

Sobre o blog

Rap Cru é o blog do roteirista e documentarista Ronald Rios sobre Hip Hop. Brasileiro, americano, britânico, latino… o que tiver beats e rimas, DJs, grafiteiros e b-boys e b-girls, tem nossa presença lá.

Rap Cru