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Coruja BC1 fala sobre novo CD, trabalhar com Djonga e Chinaski e o rap game

Ronald Rios

2024-05-20T19:04:20

24/05/2019 04h20

(Foto: Camila Tuon/UOL).

Coruja BC1 está de volta. Após seu primeiro LP oficial "NDDN", um muito bem quisto trabalho cheio de boom baps clássicos, ele volta 2 anos depois dosando mais as referências, com "Psicodelic", cuja metade da produção caiu no colo do produtor Willsbeaf. Os fãs antigos estão muito bem contemplados em várias faixas no velho estilo Coruja Modo F mas dessa vez ele olhou para todas possibilidades dentro do que seu rap pode ser e resolveu abrir os horizontes para mostrar que sabe fazer o que quiser tão bem quanto qualquer um outro que se colocar a disposição nesse rap game. Esse é o tamanho da confiança dele no próprio taco.

 

Coruja conversando é igual Coruja rimando: sem filtro, sem amarras. Você sabe exatamente o que ele tá pensando porque ele não murmura nada: tudo que ele fala vem direto, com confiança e cada vez mais experiência – no rap, na música e na vida.

 

Hoje, "Psicodelic" está disponível em todas as plataformas. Corra atrás na sua favorita enquanto lê essa conversa que tivemos 3 dias atrás, quando trombamos para falar um pouco do ousado lançamento, desse MC que anda brincando de Drake e Migos mas que no fim do dia, permanece sendo o novo Rakim. Ele falou sobre o rap game, comentou detalhes de várias faixas do disco novo, como vieram as parcerias com Djonga e Chinaski e muito mais. Vem com nóis!

 

(Foto: Camila Tuon/UOL).

Ronald: O disco tem os raps mais "pé na porta" seu que os fãs antigos chapam, mas trouxe umas fusões com trap e R&B, por exemplo, que podem trazer uma outra parte do público. A ideia era fazer um disco que trouxesse mais gente – sem abandonar os fãs que gostam do rap mais rasgado?

Coruja: Eu acho que quando eu comecei a criar o Psicodelic, eu não tinha essa noção. Eu comecei apenas a criar. Eu falei "vou fazer meu álbum a partir do tema central: saúde mental e a busca por isso." Como ela é afetada de diversas maneiras. Musicalmente falando, eu tinha uma pretensão. Aquela parada do rapper geminiano, de competitividade. Eu queria mostrar uma parada que… quem sabe que eu sou compositor como ghostwriter de outras paradas sabe que eu componho outras coisas, outros estilos – mas o meu público não sabe que eu sei fazer outras coisas. Eu tinha vontade de mostrar pro público: eu sei fazer trap, sei fazer outras paradas – tão bem quanto várias pessoas. Eu tinha vontade de mostrar minha versatilidade musical. Essa foi minha maior pretensão nessa parte, tipo fazer um R&B como "Éramos Tipo Funk". "Dopamina" que é um trap com flow de trap. Eu viajo em vários universos mas eu tive um zelo em isso soar conectado no disco, trazendo verdade, e ao mesmo tempo ficar próximo à minha linha, a minha marca de punch forte, de "rapper rapper". Eu tive muito cuidado para a forma e sequência que eu ia amarrar essas coisas.

Ronald: "Lágrimas" é uma das minhas favoritas.

Coruja: É a minha favorita.

Ronald: Você experimentou várias texturas ali. Você acha que hoje é um músico mais preparado?

Coruja: Tô mais experiente musicalmente. Tenho mais maturidade não só de escrita, em abordar temas, mas também mais conhecimento musical para acrescentar à parada. Tipo "Lágrimas de Odé", que é um som sobre um tema muito pesado, completo, que é a mestiçagem, o lance da vida e é o começo do meu disco. É onde eu falo coisas pessoas que eu em 2 mixtapes e um álbum não tinha abordado ainda, que as pessoas não sabiam – e eu queria fazer um tema pesado. Mas ao mesmo tempo ter um clima leve. Isso eu aprendi muito ouvindo Kanye West. Ele tem esse poder das músicas se transformarem, ter dois tempos.

Ronald: Sim, várias seções diferentes.

Coruja: O Kendrick Lamar também faz isso. Eu queria experimentar isso – com a minha cara. Eu planejei construir o álbum como um filme mesmo. Trazer a sonoridade não como um ambiente jogado mas como parte da narrativa.

Ronald: A competição no rap: é impressão minha ou os MCs tão com vergonha de se admitir rapper de competição?

Coruja: A gente vive, principalmente minha geração, assim: muitos rappers superestimados e muitos rappers subestimados. Eu vejo muito rapper que assume o lado da competição mas é ruim de rap. É que nem no futebol. Eu gosto do Romário. Ele assumia a competitividade dele em campo. Só que ele jogava pra caralho. Ele não jogava com o nome dele "Romário", mas com a habilidade do Romário. Hoje a gente vê rappers que jogam só com o nome. Mas existe essa vergonha de se assumir competitivo sim. Eu não tenho isso não, eu sou competitivo. Principalmente comigo mesmo. Eu escrevo e treino para ser o melhor mesmo, o mais completo – sem desmerecer ninguém. E principalmente para despertar essa sede nos meus irmãos e irmãs. Eu quero que eles escutem esse disco e queiram escrever um melhor do que eu escrevi. Eu aprendi isso no meu tempo de b-boy, a competir.

Ronald: Sim, e eu sinto que isso morreu. Foi trocado em nome de um deboísmo. Quando na real a gente cresceu ouvindo rappers querendo ser mais habilidosos que os outros sempre. Era uma batalha constante que elevou o game. Rap competitivo é fundamental e meio que morreu um pouco isso…

Coruja: Sim, e eu nem falo de "diss rap". Porque aqui se resumiu a isso, mas isso não é a competição. A competitividade é um cara fazer uma música boa e elevar o nível do jogo. Aí outro cara vai lá e faz isso também. Eu acho que os rappers às vezes encontram uma forma de fazer música e vão se repetindo nela. O público se acomoda nisso e mano — o meu álbum novo é totalmente diferente do meu outro álbum.

Ronald: No que o Psicodelic eleva o nível do jogo?

Coruja: Em vários aspectos. A última faixa, "Skrr", que é um aviso aos problemas do jogo a um público que não era atento ao Hip Hop e hoje está próximo e consumindo o Hip Hop duma forma equivocada. Eu dou um atenção a essa parada. Tem o espírito de competitividade mas antes disso no disco, eu fiz já traps com flow de trap. "Kimpa Vita", "Ogum" e "Dopamina". A reação é "Ele é o cara do boom bap mas ele faz traps com flow de trap? Faz um som com uma sonoridade do Djavan? Faz um samba, 'Camisa 12'"…

Ronald: Andou aí numa pá de universo.

Coruja: Sim, agora, respondendo a sua pergunta principal: esse disco eleva o nível porque ele é completo. Eu vou em todas as esferas e esse ano ninguém lançou uma parada assim, nessa mesma linha. Eu acredito que eu consegui fazer uma parada que vai fazer os irmãos e as irmãs a se jogarem mais, a se arriscarem mais em seu trabalho. Quero que tire o pessoal da sua zona de conforto. Arrisquem mais – musicalmente falando. É isso que o Psicodelic tem de diferente dos outros.

Ronald: Falando agora da colaboração com o Chinaski, "Ogum", como foi trabalhar com ele e como é tocar em religião, que é algo muito pessoal para você, e que você transborda bastante no seu trabalho?

 

(Foto: Camila Tuon/UOL).

 

Coruja: "Ogum" é uma música que sem dúvida alguma, foi uma inspiração da releitura do "Jorge da Capadócia" usada no "Sobrevivendo no Inferno" dos Racionais. Essa foi a principal influência. Ogum é o orixá da guerra, dos caminhos. Em 2019, o ano em que vivemos, na nossa religião, ele é regido por Ogum. Então eu queria fazer uma referência a Ogum. Só que essa música nem nasceu a partir de um conceito todo. Essa música eu e o Chinaski estávamos no estúdio, tranquilo, bebendo. O Wills colocou um beat. Eu e Diomedes começamos a cantar uma parte da oração de São Jorge. "Tô protegido com as armas de Ogum". Pensamos. "E se fosse trap?" A gente começou a se divertir com a música… e mano, de repente a gente tava emocionado com a parada e resolveu gravar. A gente ouviu e ficou com os olhos vermelhos de emoção. A gente percebeu que rolou alguma coisa além do "tá fazendo a música". Essa é uma das mais especiais do disco porque traz uma atmosfera de espiritualidade ao álbum, mais profunda.

Ronald: É um gravação com muita alma, substância.

Coruja: E eu acho que Ogum tem tudo a ver com nós favelados. Porque é o Orixá da proteção, da guerra. E nós favelados nascemos dentro da guerra. Nós, negros, pardos, retintos, nós nascemos na guerra. E Ogum representa muito bem a gente. Acho que é o orixá mais rapper. (Fala dando risada)

Ronald: Como você se sente hoje na profissão rapper num Brasil de Bolsonaro? O que mudou no seu trabalho?

Coruja: Mano, pra nós de favela sempre foi difícil. Eu quero que o Bolsonaro se foda muito. Só que existe uma parada muito louca. Mas nesses tempos de desinformação, eu não posso ser preguiçoso em levar informação. Então eu tô me preparando para pegar as informações e levar pros meus irmãos, preparar meu psicológico para ter mais paciência para construir diariamente a parada com eles. Levar a informação para quem mais necessita.

Ronald: Te doi Bolsonaro ser um hit nas quebradas?

Coruja: Na época da eleição, sim. Hoje, as mesmas pessoas da minha quebrada que votaram nele tão se arrependendo. A real é que a gente sabia que o Bolsonaro iria ser ruim. Ele é incompetente. Mas ele conseguiu ser muito pior do que a gente achou e muito rápido. Então eu não sei. Não acho que ele fica lá até o final do ano. Ele vai cair. Ele é burro. Mas aí tem o Mourão também… que acho que é menos burro mas mais perverso… eu não sei, a gente tá numa boca de se foder…

Ronald: É…

Coruja: Agora, tudo que aconteceu com a gente com o Bolsonaro, a real é que a esquerda precisa se reconectar com a periferia. Está muito distante. Precisa entender a periferia. Pessoas que assumam a periferia. A gente quer representantes em que a gente se veja. Eu quero negros no congresso, ministros negros, saca? Eu quero me sentir representado. E a periferia também quer se ver no bagulho. Então a esquerda precisa duma releitura em todos os sentidos. O que fez essa onda conservadora parecer verdadeira? Algum erro de comunicação tá havendo. Se a esquerda não fizer essa releitura, vai penar muito tempo.

 

(Foto: Camila Tuon/UOL).

 

Ronald: Perfeito. Vamos falar de "Gustavo$", a faixa com o Djonga. Arregaço. Como nasceu?  E como é esse papo dos geminianos?

Coruja: Tenho muito amor pela pessoa do Djonga. É um dos malandros mais firmezas que trombei no rap. A gente tem uma amizade da hora. Porra, tenho muito amor por ele, pela família dele, pelo pessoal dele. E a gente sempre falou de fazer um som. Temos umas coincidências. Nós dois somos "Gustavo", geminianos. Os dois de 94. Eu nasci 3 de junho, ele veio dia 4. Nós quase nasceu no mesmo dia! A gente tá combinando tem uns dois anos de fazer um som junto. Só que é aquilo: Djonga e Coruja as pessoas não esperam pouco. É que nem quando me cobram a faixa com o Amiri. Tem um motivo pra espera. As pessoas não esperam pouco desses feats.

Ronald: Se vocês entregarem menos do que fizeram ali…

Coruja: A gente fez um "rap rap rap". Eu rasbiquei uma parada e falei "ó Djonga, eu tenho uma parada aquilo." Ele ouviu o beat e falou "Caralho, pá." Ele tava no corre do disco mas falou "Calma aí que vou escrever…" Ele falou assim "Como que eu chego?" Eu falei "Mano, vem folgado. Vem levando uma com os bico mesmo, falando "eu sou rei e poucas." Ele falou "Porra, eu tava pensando em vir assim." E aí gravamos a parte dele. Eu fiquei feliz pra caralho. Imagina a gente esperar 40 anos pra sair um feat Coruja e Djonga e tipo, não é justo pro rap (se viesse fraca)…

Ronald: Tinha que vir bem amarrado.

Coruja: A gente fez essa daí tipo "a gente precisa presentear nossa geração".

Ronald: Eu gosto que o Coruja não tem a falsa humildade de MC.

(Coruja dá risada.)

Ronald: É sério. Pô, qual é dessa falsa humildade da geração atual? Vocês já ouviram Nas? Jay-Z? Como eles se gabam nos versos…

Coruja: Exato. Ó, eu tenho uma tatu do Nas aqui… (mostra a tatuagem rápido) e eu sou b-boy, né?

Ronald: De vez em quando é bom falar "me juntei com fulano pra fazer um som foda." É mandar a real. Qual o problemea de se gabar um pouco? Eu não tô dizendo que na vida real você precisa se gabar e ser um cara chato.

Coruja: Exato. As pessoas confundem humildade e modéstia. Humildade é a forma de você tratar as pessoas. Agora, eu tô há 9 meses trampando nessa porra de CD, eu sei que tá do caralho, e até o final do ano, esse vai estar entre os 3 melhores. Eu tenho certeza. Qualquer crítico musical que entenda de música e rap, vai falar isso.

Ronald: Eu gosto muito de como "Skrr" resume o espírito do disco. Você fala que brinca de Drake, de Quavo do Migos… mas que no fim das contas você ainda é o "novo Rakim". Ainda mais que ela fecha o disco, me deu na hora a sensação que é você falando: "Viu? Se eu quiser fazer outras paradas, eu faço."

Coruja: Isso, perfeito.

Ronald: "Mas se você quer aquele 'rap rap rap real', eu também tenho aqui." Eu tenho a sensação de que ela seria umas das últimas faixas que você gravou, faz sentido?

Coruja: Foi exatamente a última que eu gravei!

Ronald: Falei! Fala um pouco sobre ela.

Coruja: "Skrr" fala sobre um novo Hip Hop virtual. Ela faz de coisas mais profundas camufladas em um falso progresso dos nossos irmãos. Existe uma galera da indústria que estava muito distante do Hip Hop antes do boom do Emicida. Voltei 10 anos atrás. E graças a Deus e todo o trabalho que ele e outros irmãos fizeram – antes e depois -, a parada trouxe patrocinadores, investidores. E eu vejo que os irmãos do trap no Brasil sempre foram muito discriminados pela forma de fazer, de se vestir. Tinha um preconceito muito grande com trap no Brasil. E de repente alguns desses irmãos viraram o jogo e virou uma tendência. A gente vive esse reflexo norte-americano. O que bomba lá, fazem aqui.

Ronald: Sempre foi nessas.

Coruja: E aí tive a impressão de que a mesma galera que criticava pra caralho o bagulho, agora tão exaltando o bagulho. A galera sugando esse momento que é dos moleques. E os moleques não se atentam a isso. Eu perdi vários irmãos pro crime, pras drogas — a gente vê a juventude negra periférica nas drogas e eu comecei a refletir sobre tudo isso. Pensar sobre essa balança em que ao mesmo tempo que uns irmãos ascendem, algumas coisas acontecem tipo… quem que vocês tão exaltando nessas músicas? Qual é a forma que a mulher tá sendo tratada nessas músicas? Tipo, você exaltar uma mina branca famosa, às vezes você acaba invisibilizando mais ainda a mulher negra. Ao mesmo tempo, eu tento explicar pra esses irmãos que eles "com arma e drogas" faz parte do jogo já há tempos. Tem nada de revolucionário. Você tá simplesmente fazendo o que o jogo quer.

Ronald: O que o sistema já está acostumado – até confortável em ver.

Coruja: Sim. É uma linha de liberdade imaginária pois você continua do mesmo jeito: você tem o dinheiro mas pros caras você continua de favela. Se atenta a isso. É um momento seu. Por que deixar pessoas apagarem teu brilho e entortarem a coroa de vocês? "Skrr" não é uma diss. É um alerta. Existiram músicos muito mais incríveis do que vários moleques que estão se achando incríveis, e eles sumiram porque a música se reinventa. Então se você não aproveitar esse momento da forma certa, com os investimentos certos, isso vai passar. Ao mesmo tempo, eu percebo que algumas mídias de rap se mantém através de polêmicas. Cada um faz o que quer com seu veículo pra conseguir cliques. Será que transformar o Hip Hop em piada é solução? Porque hoje não se trata mais só dum MC com talento, uma estética foda, vários flow… mas ele não vai ter o mesmo espaço que um cara fazendo palhaçada no Instagram. Então o que tá vendendo? Piadas ou rima? O que importa mais? O rap…

Ronald: Ou o meme?

Coruja: Isso! O meme. Eu usei esse bagulho, o exemplo do XXXTentacion. No fim é tipo como ele. Quem incentiva tua loucura, vai lavar a mão na sua morte. Vão falar "Puta, ele levou os tiros…" Mas é o mesmo cara que antes tava ali rindo das idiotice dele no Instagram. As pessoas gostam disso. Ver o circo pegar fogo.

Ronald: E o palhaço morrer queimado.

Coruja: Exato! Por isso eu falo das minhas referências em humor, o Dave Chappelle, Chris Rock, o Thiago Ventura… e encerro. Porque se for tudo palhaçada? Beleza, calma aí que tudo isso que eu tô falando, é zueira também. Eu tô rindo porque acreditar nisso é muito pra mim.

Sobre o autor

Ronald Rios é roteirista, comediante e documentarista. Apresentou o "Badalhoca MTV" de 2008 a 2011 na MTV Brasil. Na Band fazia o quadro "Documento da Semana" dentro do programa CQC, num formato de pequenos docs sobre pautas atuais na sociedade brasileira. Escreveu para o Yahoo, UOL, VICE, Estadão, Playboy, Red Bull e Billboard. Em 2016 fez a série de documentários "Histórias do Rap Nacional" para a TV Gazeta. Ronald também apresentou de 2010 a 2012 o programa "Oráculo" na Jovem Pan FM e foi roteirista do Multishow de 2009 a 2011, pela produtos 2 MLQS, onde rodou o programa de TV Brazilians, eleito um dos 5 melhores pilotos de TV nacionais de 2011 pelo Festival de Pitching de TV da operadora Oi. Em 2017 e 2018 rodou pequenos docs, podcasts e campanhas multimídia para o artista Emicida na gravadora Laboratório Fantasma.

Sobre o blog

Rap Cru é o blog do roteirista e documentarista Ronald Rios sobre Hip Hop. Brasileiro, americano, britânico, latino… o que tiver beats e rimas, DJs, grafiteiros e b-boys e b-girls, tem nossa presença lá.